AGJ

Corina S. Navalla

Salamanca, Agosto/10, 2012.

E se todos os seus arquivos fossem deletados? Leia esta pergunta e a ideia central de ‘a grande justificativa’ terá acontecido. A instalação, talvez agora presente na galeria, é apenas uma formalidade, embora sirva muito bem como metáfora visual da estrutura discursiva necessária para que uma instituição se mantenha de pé. Discutir as questões em torno de ‘arquivo’, ‘discurso’, ‘memória’ e ‘instituição’ é mais importante. A base da atividade cultura é mesmo um modo de guardar coisas, sabendo requisitá-las através do poder de relação de cada uma delas. O melhor exemplo que possuímos disso é a interação do mundo com a palavra (escrita, escutada, lida ou dita). Então, esta mostra não precisaria existir. Mas nos encontramos com as imagens e ‘o homem com olhos de raio x’ enxerga o mundo transparente e sem algo para ser encoberto. Quando não mais relacionamos uma cadeira com outras duas antes de nos sentarmos, tendemos a cair. Construir pontes retira nossa existência da queda. Por isso imputamos significados.

Poucas vezes encontrei algo que não pude identificar neste mundo. Nosso arquivo forma todo o entendimento do que nos rodeia, pois é a capacidade primária de juntar coisas resgatadas da maior profundeza. Antes de um aglomerado erguer a voz e chamar-se instituição deve verificar se todas as linhas que conectam as informações atiradas em suas fundações ainda respondem. Nenhuma instituição sustenta-se com nós fracos e pesos mortos. A Arte, por seu lado, possui muito mais fios que sujeitos para puxá-los. Talvez por essa razão apareçam tantas coisas difíceis de reconhecer e fáceis de ignorar dentro de pequenas galerias ou grandes museus. Fica muito pior quando se retira as partes quebradas de baixo da pilha de tralhas.

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